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Miguel Viegas (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde): A União Europeia: desafios e oportunidades do mundo globalizado.

Convidado para falar sobre os desafios e as oportunidades que o mundo representa numa lógica de um Portugal integrado na União Europeia, o Eurodeputado Miguel Viegas, começou por afirmar a “importância de discutir a UE em democracia: o maior desafio é suscitar a reflexão. Não se deve aceitar a ideia do outro sem antes fazer uma reflexão crítica.”

Sobre os ganhos e perdas resultantes da integração portuguesa na UE, o eurodeputado garante que “a UE tem vantagens e desvantagens: quando é muito grande pode ter mais desvantagens que vantagens. É o problema da zona ótima.”

Criticou ainda “o modelo de integração europeia que é a causa principal dos problemas atuais. O modelo de integração escolhido é um modelo de mercado. Logo, o valor supremo para gerir a UE são as leis do mercado. Este modelo colide com a diversidade cultural e social da UE ao contrário dos EUA. A UE tem 500 milhões de cidadãos, até que ponto as pessoas se sentem identificadas com os governos em termos europeus?”

A adesão da Turquia

Sobre o tema de uma possível adesão da Turquia à União Europeia, Miguel Viegas, mostrou-se crítico pois “a Turquia é de uma região limite e de uma cultura diferente do mainstream europeu e com uma demografia de peso que influenciará a UE. Será que se justifica uma união de Estados tão diferentes? Veja-se o acordo da UE com a Turquia relativamente ao problema dos refugiados!”

Tratado de Comércio UE e EUA

Sobre o Tratado de Comércio, Miguel Viegas, mostrou-se preocupado com o caminho que se pensa seguir pois estamos a falar de países tão diversos e com legislações contraditórias. “Há países com salários muito mais baixos que outros. As normas ambientais dos EUA são muito mais flexíveis que as da UE e muitas vezes colidem mesmo com o normativo ambiental europeu. O comércio livre numa área homogénea não tem problemas mas numa zona muito diversa o seu efeito é perverso. É necessário estabelecer princípios que protejam os nossos trabalhadores e produtores e não sacralizar a lógica de mercado”.

O Orçamento da EU é insuficiente

Abordando a questão do orçamento da UE concluiu que este “não corresponde ao discurso dos seus dirigentes pois corresponde unicamente a 1% do PIB de cada Estado-membro.” E afirmou que no seu partido são “ favoráveis a uma UE com um orçamento de 2% a 3% do PIB todo ele posto ao serviço da coesão da UE.”

Olhando para os números do desenvolvimento, o eurodeputado, afirmou que “Portugal, em termos médios” afastou-se dos países mais ricos da UE a partir de 2001”.

E o futuro? Portugal não é pobre, está empobrecido!

Para o futuro, Miguel Viegas, pensa que são necessárias boas ideias porque “as grandes ideias, são as que perduram no tempo, são as ideias mais simples”.

Afastou a ideia de que Portugal seja um país pobre, sem recursos para poder almejar ser um Estado moderno chegando mesmo a afirmar que “Portugal não é pobre, está empobrecido”.

Criticou o fim das cotas leiteiras e a passagem à livre concorrência que está a matar os produtores de leite portugueses. “O leite estava a ser vendido a 0,32/0,33€ o litro e agora está a 0,27€ o litro. Não esqueçamos que os países do norte da Europa continuam a ser os mais ricos e mais fortes que nós.”

Concluiu a sua intervenção com um pedido para os jovens apostarem na sua formação e a estarem disponíveis para, se necessário, investirem em diferentes áreas de formação pois “a formação é fundamental para não cairmos nas malhas do desemprego. Quem tem mais formação está mais defendido para sobreviver nesta sociedade de mercado.”